CAFIB, em defesa da raça
A CAFIB – Comissão de Aprimoramento do Fila Brasileiro foi criada em 19 de março de 1978, como resultado de uma mesa-redonda promovida pelo redator especializado de cinofilia do jornal O Estado de S. Paulo, Antônio Carvalho Mendes, com o objetivo de se encontrar uma solução para um grave problema que se verificava (e ainda se verifica) na raça: a mestiçagem, feita por criadores inescrupulosos, com cães de outras raças, principalmente os Mastins (Inglês e Napolitano) e o Dinamarquês.
Depois de oito horas de debates, foi aprovada por maioria (oito votos a favor e três contra) a seguinte proposta apresentada pelo presidente do Clube Mineiro de Criadores de Fila Brasileiro, coronel Arthur Verlangieri:
“Uma comissão deve estudar o problema para verificar até que ponto existiu e existe a mestiçagem. Essa comissão teria o objetivo de dar um cunho científico e histórico a seus trabalhos, e deveria se situar acima das entidades regionais existentes, dando orientação aos clubes especializados, através de um levantamento da situação, das linhas de sangue existentes e possíveis ocorrência de mestiçagem. Essa comissão faria uma listagem dos animais que entraram nas experiências de mestiçagem para posteriormente orientar grupos de criadores interessados em criar Fitas puros. Os juizes devem ser conscientizados para os problemas de raça, para evitar, no mínimo, o cometimento de erros”.
“A Comissão, com número ainda não definido de membros, deveria manter cantatos oficiais com o Ministério da Agricultura, com os Kenneis Clubes locais e estaduais, encampar a idéia de reabertura do Registro Inicial (RI) para a raça, definir e orientar os problemas de reprodução, com a designação de animais inaptos para a reprodução, orientar o controle das ninhadas, apontar práticas erradas na criação, estabelecer um regulamento genealógico rígido, de modo que a comissão tenha força para impor sua orientação “.
Essa proposta foi aprovada, acrescida da indicação de que deveria ser uma comissão de âmbito nacional. A comissão foi constituída, inicialmente, pelos Srs. Oswaldo Fidalgo, Luiz Antonio Maciel, Osni de Moraes Pinto, Armando de Souza Reis, Celso Piedemonte de Lima, Achileu Nogueira Filho, Pauto Santos Cruz (representante em Santos) e coronel Arthur Verlangieri (representante em Belo Horizonte).
O presidente do Brasil Kennel Clube, coronel Ayrton Schaeffer, que não ficou até o final da reunião, antes de se retirar firmou uma posição: “Prometo acolher qualquer decisão que seja tomada nesta reunião, levando-a para o BKC para que a entidade mater da cinofilia nacional tome conhecimento das decisões e adote as providências necessárias. Sou favorável à adoção de medidas que visem à solução dos problemas da raça a curto prazo, para que ela não seja ainda mais prejudicada”.
Posteriormente, por motivos particulares, ou por não concordarem com a orientação que a maioria dos membros estava dando à CAFIB no sentido de uma defesa intransigente da pureza da raça, alguns desses membros (Armando de Souza Reis, Achileu Nogueira Filho, Celso Piedemonte de Lima) abandonaram a Comissão. Com isso, a CAFIB se fortaleceu internamente, ganhando maior homogeneidade e dinamismo, passando a desenvolver um trabalho mais concreto e objetivo em defesa da raça. A CAFIB definiu como objetivos primordiais de sua atuação:
1) Estudar e propor a regulamentação
de todos os aspectos de criação da raça Fila Brasileiro,
visando sempre a sua pureza e aprimoramento;
2) Incentivar as pesquisas científicas (biológicas, zootécnicas.
cinéticas, fisiológicas, etc.) com o objetivo de aprimorar o Fila
Brasileiro e orientar seus criadores;
3) Pesquisar e genótipo dos exemplares em reprodução, visando
a determinar a dominância, recessividade e vias de transmissão
de todos os caracteres rácicos;
4) Coletar dados para fins estatísticos e estudar e propor novos critérios
nos julgamentos, visando a enaltecer detalhes somáticos e mentais da
raça;
5) Estudar meios para a manutenção de uma uniformização
do fenótipo, caráter e temperamento do Fila Brasileiro;
6) Estudar eventuais modificações a serem propostas ao padrão
rácico;
7) Propor aperfeiçoamento para as exposições especializadas;
8) Regulamentar o adestramento e as exposições de adestramento
do Fila Brasileiro;
9) Estudar, debater e decidir toda e qualquer questão, proposta ou crítica
que lhe for apresentado;
10) Editar seus estudos e relatórios.
A CAFIB começou a realizar um trabalho de levantamento do plantel existente, inicialmente em São Pauto, através de fotografias e súmulas, para selecionar os animais em condições de serem utilizados num amplo programa de recuperação da raça, abastardada pela mestiçagem. Em viagens ao Interior e através de visitas a vários canis, a CAFIB vem dando orientação aos criadores e propondo cruzamentos de animais típicos, para garantir a perpetuação da raça.
E este tem sido, sobretudo, um trabalho de amor e dedicação de todos os membros da CAFIB daquela época: Oswatdo Fidalgo (biólogo), Luiz António Maciel (jornalista), Pauto Santos Cruz (advogado), Arthur Verlangieri (militar), Roberto Maruyama (administrador de empresas), Airton Campbell (arquiteto), Miguel Fernandes Galante (publicitário), Francisco JoséMagliocca(adm. deempresas), Américo Cardoso dos Santos Jr. (estudante) Marilia Penteado Maruyama (adm. de empresas), Francisco Peltier de Queiroz (executivo de comércio exterior - nosso representante na Europa) e Pedro M. L. Germano (médico-veterinário).
Hoje, a Comissão de Aprimoramento do Fila Brasileiro está consolidada,
com registro no ministério da Agricultura, e transformou-se no Clube
de Aprimoramento do Fila Brasileiro, com regionais em diversos estados brasileiros.
Estamos tentando, manter esta luta pela pureza da ÚNICA RAÇA BRASILEIRA,
um grande orgulho para todos nós que amamos os nossos animais e o nosso
país.